3GEN

Resenha – A Ciência Revolucionária de Identificar Balela

Balela, besteira, conversa mole para boi dormir. Estes termos definem um tipo de comunicação que pode ser confundido com “mentira”, mas que na prática difere fundamentalmente da mentira. E é sobe esse conceito, o conceito de “balela”, que versa o livro The Life-Changing Science of Detecting Bullshit (em tradução livre: A Ciência Revolucionária de Identificar Balela), do pesquisador e psicólogo John Petrocelli.

Ruy Flávio de Oliveira - Sócio da 3GEN
The Life-Changing Science of Detecting Bullshit (em tradução livre: A Ciência Revolucionária de Identificar Balela

Definindo a Balela

A definição de balela, apresentada por Petrocelli é simples e coerente: é a comunicação com pouca ou nenhuma consideração pela verdade, conhecimento estabelecido ou evidência. O autor diferencia a balela da mentira apontando que quem propaga uma mentira sabe o que é a verdade e se preocupa com ela, mesmo que seja para escondê-la. Já quem propaga a balela, não se preocupa com a verdade e, no mais das vezes, acredita na própria balela sem se preocupar em verificar sua veracidade.

Por que a balela é tão comum?

O propagador de balela não se preocupa em verificar a veracidade do que está dizendo, e chega a negar fatos e evidências que contradizem sua balela. E por quê? O autor oferece algumas explanações importantes para esse comportamento:

  • Interiormente, criamos e nutrimos um conjunto de crenças que, independentemente de serem congruentes com a realidade, geram nosso senso de self e nossa noção de mundo. Tendemos a criar narrativas (e a adotar narrativas externas) que são congruentes com nosso conjunto de crenças, e quanto mais uma narrativa reforça nossos pontos-de-vista, menos serão suscetíveis de averiguação factual. Mesmo que não sejam verdades, nós as propagaremos, contribuindo para a perpetuação da balela;
  • Somos seres sociais, e a validação social muitas vezes é mais importante que a defesa da realidade. Daí nossa propensão a não confrontarmos a balela quando ela chega aos nossos ouvidos.
  • Somos orgulhosos e não gostamos de “perder” discussões. E muitos casos, recorremos à balela para “alicerçar” nossos argumentos.
 

Categorizando a balela

Petrocelli divide a balela em três categorias de acordo com os danos que pode causar:

os 3 tipos de balela

Balela e mentira

O autor ‘bastante enfático quando afirma que a balela é mais perigosa que a mentira, pois enquanto o mentiroso tenta explicitamente esconder ou distorcer a verdade, a verdade pode ser verificada e o mentiroso, exposto. A balela também pode ser verificada, claro, mas o clima que se cria quando a balela é aceita é altamente prejudicial. Ao aceitarmos balela sem a denunciarmos (porque não tem clima, porque não tem importância, porque não queremos ofender o outro etc.) tornamos mais fácil a próxima balela. Com o passar do tempo, a balela passa a ser aceita, e o que se cria é uma sociedade em que os fatos valem menos que o discurso assertivo. Se a pessoa dispersa sua balela com confiança, tudo bem…

O antídoto contra a balela

Petrocelli apresenta um antídoto certeiro contra a balela: o pensamento crítico.

O pensamento crítico é, para usar uma metáfora, uma caixa de ferramentas, e não uma ferramenta só. É um conjunto de ações e comportamentos que podemos (devemos) desenvolver de forma a nos tornarmos impermeáveis à balela. O hábito de checarmos as fontes das informações que recebemos, o hábito de verificar dados apresentados, o hábito de lermos notícias em mais de uma fonte (e em fontes independentes umas das outras), tudo isso contribui para que desenvolvamos o pensamento crítico.

Sem pensamento crítico, o discurso se deteriora, a opinião passa a valer mais que o fato (um erro gravíssimo), e ficamos mais coletivamente “burros”.

Pensar criticamente é fundamental para o progresso da Humanidade.

Como lidar com a balela?

O autor apresenta algumas regras básicas para lidarmos com a balela, não no sentido de “vencermos a discussão”, mas sim para que aos poucos possamos remover esse estorvo de nossas conversas.

Regras para se lidar com a balela:

regras para lidar com a balela

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RUY FLÁVIO DE OLIVEIRA
Sócio da 3GEN, Ruy é formado em Engenharia da Computação pela UNICAMP, possui pós-graduação em Marketing pela ESPM e é especialista em gerenciamento de produtos pela São Paulo Business School. Ruy tem uma longa experiência nas áreas de tecnologia, marketing e gerenciamento. Consultor desde 2009 e instrutor desde o início de sua carreira, ingressou na área de gestão educacional em 2014, estabelecendo parcerias estratégicas entre a indústria e a universidade, em benefício de estudantes que já saem para o mercado de trabalho com experiências que são de alto valor para empresas que estão contratando.
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