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ARTIGO

COMO AS FERRAMENTAS DE INTELIGÊNCIA COMPETITIVA ALIADAS AO SCRUM AUXILIAM AS ORGANIZAÇÕES NA EXECUÇÃO ÁGIL

Recentemente, em função do Manifesto Ágil publicado em 2001, da velocidade dinâmica do contexto global, da maior disponibilidade de acesso as informações e dos novos perfis profissionais, tem se falado muito em gestão e práticas ágeis.

De fato, num mundo cada vez mais VUCA – Volatility (volatilidade), Uncertainty (incerteza), Complexity (complexidade) e Ambiguity (ambiguidade), as organizações necessitam de metodologias rápidas para a tomada de decisão e implementação das ações, com foco no alcance de resultados.

Entretanto, a adoção das ferramentas ágeis pressupõe uma cultura de gestão descentralizada e uma maior autonomia das pessoas nos cargos de liderança, e mesmo as grandes empresas privadas, pelos diversos níveis hierárquicos, têm dificuldade em adotar de fato uma gestão ágil e efetiva. Uma saída para isso, é adoção de “Metodologias Ágeis” pontuais em alguns processos de gestão, otimizando os ciclos de tomada de decisão.

Nesse sentido, as práticas de inteligência competitiva como rotina garantem dados, informações e conhecimento frente aos eventos que precisam de solução e/ou oportunidades a serem exploradas. O processo de inteligência consiste no planejamento, na coleta, processamento e armazenamento de dados, na análise e validação da informação, na disseminação e utilização dos dados estratégicos, e na avaliação do processo. Entretanto é possível adotar apenas algumas ferramentas que garantem que as informações já estejam dentro da organização e disponíveis para qualquer finalidade ou em qualquer nível.

A definição dos KITs (Key Intelligence Topics) ajuda a organização a clarear vários aspectos. Jan Herring classifica os KITs em três categorias: decisões e ações estratégicas, aviso prévio (early-warnings), e descrição dos principais players do mercado. Já os KIQs (Key Intelligence Questions) são o desdobramento dos KITs, onde são definidas as perguntas chave que se faz para cada tópico. O ideal é ter um processo que entrega as informações relevantes às pessoas certas, no momento certo e da maneira correta. Aliar essas ferramentas à gestão de risco também traz uma maturidade para a tomada de decisão, que se torna muito mais baseada em informações e não na sensibilidade dos tomadores de decisão.

Nesse contexto é fundamental trabalhar com o monitoramento de sinais fracos, dados de mercado identificados nos KITs e KIQs, matriz de impacto vs. probabilidade de riscos e/ou cenários, pois essas ferramentas ajudam a entender o contexto e seus impactos. Existem ferramentas de execução como Canvas e o Scrum, que também facilitam as decisões a serem tomadas e direcionam o melhor modelo de implementação.

Como adotar essas práticas? Tanto no processo de planejamento estratégico, bem como na gestão de processos e projetos, é primordial entender quais dados de contexto são sensíveis para o seu negócio e deverão ser monitorados, para posteriormente se tornarem conhecimento explícito, pois o conhecimento tácito é aquele tipo de conhecimento mais difícil de ser formalizado e transmitido às outras pessoas.

Ele está relacionado às experiências, à visão de mundo e às práticas de determinado indivíduo. No caso das empresas, ele se refere, por exemplo, ao know-how de um profissional. Já o conhecimento explícito é aquele que pode ser facilmente formalizado e compartilhado com outras pessoas a partir de recursos como textos, imagens, painéis, infográficos, vídeos, entre outros materiais.

Além dos dados de contexto, é preciso entender as tendências do segmento e da rede de valor que a organização está inserida, mapeando oportunidades e ameaças, alocando-as numa matriz de impacto vs. probabilidade, tratando das ações de contingenciamento necessárias ao negócio.

Para o que é muito incerto, é importante gerar cenários possíveis para entender a profundidade dos impactos em alguns em futuros possíveis. Sim, é um exercício de futurologia, mas baseado em evidências do mercado. Existem diversas técnicas, mas a análise de impactos cruzados se utiliza de ferramentas como o PESTEL e/ou Teoria das Forças Futuras, que classificam os fatores em diversos eixos, cruzando as suas polaridades para se determinar futuros possíveis, e com isso, se preparar ou se antecipar frente aos eventos futuros e de alto impacto para o negócio.

Os cenários são uteis tanto na formulação da estratégia bem como na sua execução, pois além de identificar e direcionar estratégias emergentes, identificam rapidamente os ajustes nos objetivos, processos, KPIs, metas e portfólios (projetos e produtos). E como decorrência disso, a estratégia passa a ser revista conforme o contexto e não pelo prazo determinado.

Já na execução, a utilização do Canvas de projeto ou de negócios verifica de maneira simples o escopo das ações, bem como se o modelo operacional se sustenta, deixando os estudos de business plan apenas para intervenções mais robustas e intensas de capital. O gerenciamento pode ser feito por Scrum, que é um framework de gerenciamento de projetos, da organização ao desenvolvimento ágil de produtos complexos e adaptativos com o mais alto valor possível, através de várias técnicas. Ele se baseia em sprints curtos de execução, mitigando riscos e desenvolvendo soluções com maior efetividade.

Na minha visão, aqui está o ponto central desse artigo. A execução ágil é aquela quando a organização rapidamente identifica as mudanças necessárias e implementa os ajustes em todos os níveis organizacionais, além de direcionar os recursos para o que é mais prioritário no momento. O grande desafio, é escolher as ferramentas que tem aderência com os valores da organização, bem como transformar a cultura organizacional para essas mudanças.

 

ALINE VÊNERE
Sócia Consultora na 3GEN, graduada em Economia e pós-graduada em Comércio Internacional pela UNIFACS – Universidade Salvador. Possui experiência em formulação, implementação e governança da estratégia. Em 2001, iniciou a sua carreira em um grupo nacional de grande porte, trabalhando nas áreas de Suprimentos, Controladoria, Inteligência de Mercado, Planejamento Estratégico e Gestão de Negócios. Desde 2007, atua como consultora em projetos de planejamento estratégico analítico e participativo, desdobramento da estratégia, implementação de Balanced Scorecard, redesenho de processos e gerenciamento de projetos, em organizações de diferentes setores, públicas, privadas e do terceiro setor.