Empresa de Consultoria

ACADEMIA

CURSOS DE GESTÃO PARA ÁREA DA SAÚDE

É um programa de certificação desenvolvido pela 3GEN, que garante a formação integrada em torno dos 6 vetores da execução da estratégia.

Insights e publicações

O panorama da e-Saúde no Brasil

No post anterior sobre Saúde, discutimos um pouco sobre a e-Saúde, seus desafios e benefícios para o sistema de saúde. Dentre esses benefícios, destaca-se a realização de consultas a distância por meio da internet. Apesar de observarmos diversos exemplos no mundo, por que não encontramos facilmente exemplos no Brasil?

Quando comparamos dados como concentração de hospitais e quantidade de leitos de emergência no país, encontramos os seguintes resultados:

Quando olhamos para concentração de médicos especialistas, em 2016 o Sudeste concentrava 154 especialistas por 100 mil habitantes. A região norte concentrava apenas 50 (por 100 mil hab).

Esses números demonstram a carência de acesso à saúde no Brasil, excessivamente concentrada em regiões como a Sudeste. Como vimos no post anterior, tal cenário pode ser modificado com a ampliação da atuação da e-Saúde no País. Vamos então realizar uma análise da tecnologia no sistema de saúde brasileiro.

O Contexto Atual da Saúde no Brasil

Quando pensamos na e-Saúde, pensamos principalmente sistemas interconectados (EHRs e prescrições eletrônicas de medicamentos integrando unidades de saúde a farmácias).

  •  O Conselho Federal de Medicina estabelece que no Brasil é necessário haver a presença de um profissional médico no mesmo local do paciente durante uma consulta por videoconferência (Resolução 1643/2002). Atualmente existe o Programa Telessaúde Brasil Redes, que foca na atenção primária do SUS com foco em consultoria entre profissionais de saúde a distância. Assim, um clínico geral que atua em uma cidade do interior do país pode receber orientações de um médico especialista. Esta orientação pode ser via internet de modo a auxiliar a resolutividade e diagnóstico de doenças.
  •  O Conselho Regional de Farmácia de São Paulo indica que não existe lei que proíba a emissão de prescrições eletrônicas com assinatura digital, mas elas devem conter informações completas do médico emissor, do paciente e possuir assinatura digital. Está em tramitação na câmara dos deputados o Projeto de Lei 3344 de 2012. Projeto que torna obrigatória a emissão de prescrições eletrônicas em cidades com mais de 200 mil habitantes.

Quando pensamos em estratégia de âmbito nacional, o Ministério da Saúde lançou em 2017 uma visão da e-Saúde até 2020 por meio do documento Estratégia e-Saúde para o Brasil.

Analisamos essa estratégia pensando em quatro fatores principais: Objetivos, visão e foco da estratégia; Planos de ação e infraestrutura; e Governança.

Nossa análise

Ao analisarmos a estratégia de e-Saúde do Governo Federal, identificamos um planejamento estruturado com base em diretrizes de um framework recomendado pela Organização Mundial da Saúde. A estratégia desenhada aborda principais pontos como definição de objetivos. Seriam eles: visão, metas, órgãos envolvidos para implementação, plano de ação, infraestrutura necessária e governança.

Comparamos a estratégia da e-Saúde com outros países, veja alguns pontos abordados. A estratégia de e-Saúde da Dinamarca possui foco na atenção primária e foco na interoperabilidade de sistemas EMR. A África do Sul possui um alto nível de maturidade em sua estratégia de e-Saúde que possui grande penetração no país. Para o Brasil, destaca-se o foco no SUS e os planos de ação em torno da interoperabilidade de sistemas EMR da e-Saúde que será implementada até 2020. Esperamos encontrar pela frente grandes desafios em questão de aprovação de leis. Assim como em gestão de implantação do sistema e disponibilidade de infraestrutura física necessária para a execução da estratégia de e-Saúde definida pelo Governo Federal.

A seguir, confira uma síntese da estratégia de e-Saúde para o Brasil do Governo Federal. No próximo post desta série de e-Saúde, analisaremos quais são os principais aspectos que devem ser levados em consideração antes de se implantar um sistema EMR em um hospital.

—————————————————————————————————————————

Síntese da estratégia e-Saúde

  1. Objetivos, visão e foco da estratégia

Objetivos: Aumentar a qualidade a ampliar acesso à saúde; melhorar o fluxo de informações para apoio à decisão clínica, de vigilância, regulação e gestão; consolidar uma plataforma de e-Saúde nacional; instituição do Registro Eletrônico de Saúde (RES); criar mecanismos de promoção da Telessaúde.

Visão: “Até 2020, a e-Saúde estará incorporada ao SUS como uma dimensão fundamental, sendo reconhecida como estratégia de melhoria consistente dos serviços de Saúde por meio da disponibilização e uso da informação abrangente, precisa e segura que agilize e melhore a qualidade da atenção e dos processos de Saúde, nas três esferas de governo e no setor privado, beneficiando pacientes, cidadãos, profissionais, gestores e organizações de saúde”.

Foco da estratégia: Apoiar o SUS e atingir as metas do Plano Nacional de Saúde (PNS) Planos de ação e infraestrutura (técnica e clínica).

 

   2. Planos de ação e infraestrutura

  • Reduzir a fragmentação das iniciativas no SUS (alinhar informações e recursos dos diferentes órgãos que compõem o SUS);
  • Integrar recursos das três esferas de governo em uma dimensão nacional envolvendo Ministérios do Planejamento, da Educação, da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio Exterior, entre outros;
  • Adequação do marco legal;
  • Definir arquitetura da e-Saúde por meio de padronização de modelos de dados que garantam interoperabilidade, padronização de terminologias, cadastro de usuários e garantia de Serviços de segurança de dados e privacidade;
  • Desenvolver Sistemas e Serviços de e-Saúde aderentes à Arquitetura desenhada, além de adequar serviços já existentes como e-SUS, Sistema Integrado de Gestão da Assistência à Saúde, SAMU, etc.;
  • Disponibilizar infraestrutura técnica como computadores;
  • Qualificar profissionais que utilizarão o sistema no SUS.

3. Governança

A estratégia visa uma governança descentralizada, com o alinhamento de diversos órgãos como Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, Conselho Nacional dos Secretários de Saúde e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, além da Rede Interagencial de Informações para a Saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), entre outros. O objetivo é reduzir barreiras de interoperabilidades e gerir em conjunto as mudanças necessárias para implementação do sistema.

  • Luiz Gustavo Sedrani

    Sócio Fundador da 3GEN, graduado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP) com pós-graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

    Sua experiência com consultoria data desde 1997, desenvolvendo projetos de Redesenho de Processos e Reestruturação Organizacional, Planejamento e Gestão Estratégica, Balanced Scorecard, Gerenciamento de Projetos e Viabilização Técnica-Econômica de Projetos e Soluções Tecnológicas, com atuação em organizações dos setores público e privado e instituições sem fins lucrativos.

  • Daniel Alvarez Pereira

    Consultor Júnior da 3GEN, é graduado em Engenharia Química pela Universidade de São Paulo (POLI-USP) e Greenbelt em Lean Six Sigma. Foi analista na empresa júnior da Universidade em 2012, e posteriormente realizou estágio em um Instituto de Pesquisa e em uma Consultoria Ambiental, atuando em projetos diversos dessa área.