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O Futuro da Saúde

O avanço da cibermedicina pelo mundo

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O Futuro da Saúde: o avanço da cibermedicina pelo mundo

Em casa, um paciente diabético mede seus níveis de glicose, porém, seu aparelho indica níveis superiores aos recomendados. O aparelho imediatamente registra esses valores em um sistema e um alerta é enviado diretamente ao hospital. Depois disso, o paciente administra insulina, faz uma nova medição e os altos níveis de glicose persistem. Porém, o novo registro gera um alerta no hospital. O médico imediatamente entra em contato com o paciente para avaliar o quadro.

A situação que descrevemos requer um contato próximo e rápido entre o paciente e o sistema de saúde. Porém, para que ela possa acontecer, dois fatores são: uso de tecnologias de informação e comunicação com foco em saúde entre pacientes e profissionais. Essa é a definição da Organização Mundial de Saúde para um termo que vem ganhando destaque nos últimos anos com o crescente uso de tecnologia: a e-Saúde ou cibermedicina (do inglês e-Health).

Confira alguns exemplos de e-Saúde

Atualmente no Brasil existe uma série de evidências que registram essa tendência para os próximos anos:

  • Aumento do número de pessoas utilizando smartphones e wearables para medições de pressão, monitoramento do sono ou uso durante realização de exercícios físicos;
  • Aumento do número de aplicativos para celular com foco em saúde;
  • Sistemas de informação em hospitais que disponibilizam as informações do paciente entre diversas áreas, os chamados Prontuários Eletrônicos Médicos; 
  • Acesso a informações de saúde na internet em blogs e discussões em fóruns online.

No mundo, encontramos ainda outros exemplos mais sofisticados:

  •  Na Suécia, o website KRY permite a pacientes que descrevam seus sintomas e realizem consultas online com médicos com um período de espera de alguns minutos;
  • No Reino Unido, o aplicativo para celular Babylon permite consultas com um clínico geral e prescrição de remédios eletrônica que permite ao paciente retirar os remédios em farmácias ou demandar a entrega em casa;
  • Na Alemanha o Eletronic Health Card permite que todas as informações de emergência de um paciente sejam armazenadas em um cartão com chip, como alergias, implantes, doenças crônicas e medicações utilizadas;
  • Em Portugal, o aplicativo Knok permite que um médico seja chamado para realizar a consulta a domicílio. Método semelhante ao funcionamento do Uber.

Os instrumentos do e-Saúde

O princípio do e-Saúde é integrar todas as partes da rede de valor da Saúde: prover informações de pagamentos para operadoras, fornecimento de dados para pesquisas científicas, prescrições eletrônicas de remédios para farmácias ou troca de informações sobre o paciente entre diferentes hospitais e entre diferentes instituições de cuidado (lares de idosos, por exemplo). Confira a seguir alguns instrumentos importantes que permitem essa troca de informações por meio de tecnologia:

Prontuário Eletrônico Médico (EMR): é a grande tendência dos hospitais atualmente: permite armazenar dados pessoais do paciente, bem como exames previamente realizados. Também permite gerenciar diversas áreas de um Hospital. Exemplos: eClinicalWorks, McKesson, Cerner, etc;

Prontuário Eletrônico de Saúde (EHR): Armazena informações do paciente disponíveis em diferentes unidades do sistema de saúde, incluindo diferentes unidades, farmácias, casas de repouso, etc. É o futuro da e-Saúde: um sistema BigData online integrando todos os elos da cadeia;

Modelo Prontuário Eletrônico de Saúde (EHR)
Cada hospital possui seu próprio EMR; No futuro, esses sistemas estarão integrados por um EHR que centralizará todas as informações clínicas dos pacientes

Prescrição eletrônica: permite integração entre o sistema de saúde e farmácias, gerando ampla acessibilidade. Também permite renovação de receitas por meio eletrônico;

Sistemas de apoio à decisão clínica (SADC): Sistemas interconectados com extenso banco de dados que fornecem dados estatísticos para apoiar diagnósticos feitos por médicos, além de possibilitarem análise precisa de exames por imagem. Exemplo: WatsonPaths da IBM;

Telemedicina: permite realizar, à distância, consultas entre médicos e pacientes, prescrição de exames, de remédios e até tratamentos no campo da psicologia;

Grupos de apoio online: permitem contato entre pacientes com foco em doenças como depressão.

Desafios a serem superados

É como todo sistema complexo que envolve diversos órgãos e pessoas. A e-Saúde possui alguns desafios que precisam ser superados com o tempo:

Infraestrutura: para operar, é preciso infraestrutura física de computadores e amplo acesso à internet, o que ainda não é uma realidade em muitas regiões pouco urbanizadas ao redor do mundo;

Interoperabilidade entre sistemas: a adoção de diferentes tipos de Prontuários Eletrônicos Médicos (EMRs) por diversos hospitais resulta em dados estruturados em formatos incompatíveis. Um outro problema é a falta de padronização de nomenclaturas e terminologias. Estas utilizadas pelos diferentes profissionais de saúde (CID, openEHR, etc);

Qualidade de dados: para que o sistema funcione adequadamente, é necessária uma troca de dados confiáveis e relevantes. Esse é um dos principais desafios de sistemas BigData em geral;

Segurança de dados: existe extensa discussão sobre a segurança dos dados de saúde de pacientes, perda de dados e ciberataques.

e-Saúde: ampliando o acesso à saúde

A utilização de tecnologia no sistema de saúde é uma tendência. Ela vem trazendo inovações que se traduzem em inúmeros benefícios aos tratamentos. Hoje, uma realidade é o elevado abandono de tratamentos: os pacientes descontinuam as medicações que precisam tomar devido ao seu alto custo ou mesmo à falta de entendimento do que ele deve fazer. Portanto, as novas tecnologias permitem um acompanhamento contínuo do médico e tendem a diminuir essa evasão de tratamentos. Outro ponto fundamental é o foco preventivo: a identificação precoce de doenças e maior contato do paciente com o sistema de saúde resultam na maior prevenção e menor sobrecarga do sistema como um todo.

Como podemos perceber, a e-Saúde é uma tendência para os próximos anos no mercado de saúde. Já existindo uma gama de soluções disponíveis no mercado para serem utilizadas. Um dos grandes avanços que vemos pelo mundo é a difusão da telemedicina. Consultas entre pacientes e médicos via internet, prática ainda pouco difundida no Brasil. Em conclusão, futuramente analisaremos o contexto brasileiro de avanço da e-Saúde no país.

  • Luiz Gustavo Sedrani

    Sócio Fundador da 3GEN, graduado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP) com pós-graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

    Sua experiência com consultoria data desde 1997, desenvolvendo projetos de Redesenho de Processos e Reestruturação Organizacional, Planejamento e Gestão Estratégica, Balanced Scorecard, Gerenciamento de Projetos e Viabilização Técnica-Econômica de Projetos e Soluções Tecnológicas, com atuação em organizações dos setores público e privado e instituições sem fins lucrativos.

  • Daniel Alvarez Pereira

    Consultor Júnior da 3GEN, é graduado em Engenharia Química pela Universidade de São Paulo (POLI-USP) e Greenbelt em Lean Six Sigma. Foi analista na empresa júnior da Universidade em 2012, e posteriormente realizou estágio em um Instituto de Pesquisa e em uma Consultoria Ambiental, atuando em projetos diversos dessa área.