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O que são riscos e como essa gestão surgiu?

Série Gestão de Riscos - Parte 1 de 5

Insights e publicações

Série Gestão de Riscos: O que são riscos e como essa gestão surgiu? (Parte 1 de 5)

Você já viu o orçamento do projeto que você aprovou dobrar de tamanho? Quantas revisões de cronograma você já recebeu, porque as atividades eram mais complexas do que o imaginado? Esse cenário ocorre constantemente no mundo corporativo e possivelmente você mesmo, sua diretoria ou conselho já se sentiram inseguros com um projeto por ele estar exposto à uma série de eventos não previstos.

Este é o primeiro de uma série de posts deste blog sobre o tema Gestão de Riscos, uma abordagem que responde a essas perguntas e torna-se cada vez mais uma obrigação nas organizações. Ao final desta série, esperamos que você tenha capacidade de avaliar e criticar os processos de gestão da organização na qual trabalha.

Neste post introdutório, analisamos o que são riscos e como a gestão de riscos surgiu. No próximo post, apresentamos os principais frameworks de Gestão de Riscos atualmente no mercado. No terceiro post, indicamos como você deve levantar os riscos na sua organização. Em seguida, as possíveis respostas aos riscos são explicadas e, finalizando, apontamos como você pode implantar a Gestão de Riscos.

O que esperar da Gestão de Riscos em sua organização

As organizações estão cada vez mais interessadas na implantação de uma Gestão de Riscos, especialmente aplicada na Gestão de Projetos. Ela melhora sensivelmente o planejamento e gera, dentre outros benefícios, melhoria na tomada de decisão, otimização de recursos e proteção (por compliance) aos seus diretores e gestores.

Porém, apesar dos benefícios, vale o alerta: a Gestão de Riscos não é uma solução mágica, um deus ex-machina que surge para resolver seus problemas de planejamento. A Gestão de Riscos – prepare-se para o choque de realidade – não eliminará as incertezas que seus projetos enfrentam. A incerteza, como veremos, é inerente ao próprio conceito do que é “risco”. No entanto, a diferença agora, é que você e sua organização terão consciência da exposição à essa incerteza e, principalmente, saberão como reagir frente a ela.

O que é “risco”?

A origem da Gestão de Riscos, como indicado do interessantíssimo e recomendado Desafio aos Deuses: A Fascinante História do Risco (Against the Gods: The Remarkable Story of Risk  – de fácil leitura e também altamente referenciado em artigos acadêmicos), começa junto com a evolução da análise probabilística na matemática. Isso se dá pela própria definição de riscos: eles estão sempre ligados à um evento incerto (ou seja, que pode ou não acontecer).

Numa definição ampla do que é risco, encontramos que ela combina vários elementos:

1) O que pode acontecer;

2) Qual a chance de acontecer; e

3) Caso aconteça, quais as consequências.

Para entender todos os posts que seguirão, é importante dissecarmos essa definição, chegando ao que chamamos de “anatomia do risco“:

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Todo risco, portanto, tem uma Probabilidade de acontecer e um Impacto caso ocorra. Essa dupla, probabilidade vs impacto é o ponto central de toda Gestão de Riscos: qualquer coisa que você faça, servirá para alterar a probabilidade ou o impacto.

Imagine um motoqueiro, por exemplo: ao decidir utilizar capacete, luvas e jaqueta, qual item ele está gerenciando? A vestimenta não muda a chance de um acidente ocorrer, então só nos sobra uma opção: elas reduzem o impacto sofrido (neste caso, literalmente) em caso de acidente.

Imagine agora um montanhista. Todos equipamentos de segurança dele não muda o impacto (exemplo literal e mórbido novamente) em caso de uma queda livre do alto de uma montanha. Mas, sim, muda a probabilidade: todos os equipamentos e cordas tornam muito mais difícil um acidente ocorrer, apesar de não alterar a sua consequência caso ocorra.

Mais na frente, quando tratarmos das possíveis Respostas aos Riscos, essa forma de raciocínio, sempre combinando Probabilidade e Impacto será fundamental.

Agora que você tem um entendimento básico do que é risco e como trabalhá-los, no próximo post desta série, indicaremos os principais frameworks de Gestão de Riscos que você pode utilizar em sua organização.

  • Rodrigo Cavalcanti

    Sócio Consultor da 3GEN em planejamento estratégico e finanças corporativas, trabalhou por 8 anos como gerente administrativo e financeiro de organizações de grande e médio porte, tendo atuado com foco na implantação e reestruturação do backoffice, tanto em em entidades privadas como no terceiro setor. Possui experiência em projetos de BSC, desenho de modelos de negócios, análise de viabilidade financeira e riscos, valuation e também em implantações de sistemas de gestão de performance, BIs e ERPs. É graduado em administração pela Universidade Federal de Pernambuco e cursou MBA em Finanças Corporativas, com foco em M&A e valuation, pela FGV/RJ.